Como a cirurgia vascular atua no tratamento do linfedema?

linfedema

O linfedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido rico em proteínas nos tecidos, geralmente nos braços ou nas pernas, causado por falhas no sistema linfático. Esse excesso de líquido leva a inchaço persistente, sensação de peso, dor, endurecimento da pele e, em estágios avançados, alterações estéticas e funcionais significativas.

Embora o tratamento conservador — como o uso de meias de compressão, drenagem linfática manual, exercícios específicos e cuidados com a pele — seja a base do manejo do linfedema, em alguns casos a cirurgia vascular pode ser uma aliada importante. Os procedimentos cirúrgicos têm como objetivo reduzir o volume do membro, melhorar a drenagem linfática e proporcionar mais qualidade de vida.

Neste artigo, vamos explicar quando a cirurgia é indicada, quais são as principais técnicas utilizadas e como ela se integra ao tratamento multidisciplinar do linfedema.

Entendendo o linfedema: primário e secundário.

Antes de abordar as opções cirúrgicas, é importante compreender as causas da doença.

Linfedema primário: decorre de alterações congênitas do sistema linfático, como má formação ou ausência de vasos linfáticos, podendo surgir desde o nascimento, na adolescência ou na vida adulta.

Linfedema secundário: é mais comum e aparece após lesões ou obstruções do sistema linfático. Entre as causas estão cirurgias com retirada de linfonodos (frequente em tratamentos oncológicos, como câncer de mama e ginecológicos), radioterapia, infecções, traumas ou doenças inflamatórias.

Em ambos os casos, o linfedema é uma condição progressiva. Quando não tratado adequadamente, pode evoluir para complicações como infecções de repetição (erisipela), dificuldade de mobilidade, alterações tróficas da pele e impacto psicológico e social.

O papel da cirurgia vascular no linfedema

O tratamento cirúrgico não é indicado para todos os pacientes, mas em situações selecionadas pode trazer grande benefício. A decisão depende de fatores como o estágio do linfedema, o grau de fibrose dos tecidos, a resposta ao tratamento conservador e as condições clínicas do paciente.

De forma geral, a cirurgia vascular tem três objetivos principais:

  • Restaurar a drenagem linfática quando possível;
  • Reduzir o volume do membro por meio da retirada de tecido doente;
  • Prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.

Principais técnicas cirúrgicas no tratamento do linfedema

1. Anastomose linfovenosa (linfovenosa ou linfático-venular)

É uma técnica microcirúrgica em que o cirurgião conecta vasos linfáticos diretamente a pequenas veias próximas. Dessa forma, o líquido linfático passa a drenar para o sistema venoso, aliviando o acúmulo nos tecidos.

  • Indicação: pacientes em fases iniciais a intermediárias do linfedema, em que ainda há vasos linfáticos funcionais.
  • Vantagens: procedimento minimamente invasivo, com recuperação rápida e melhora progressiva dos sintomas.
  • Limitações: menos eficaz em casos avançados, com fibrose extensa.

2. Transferência de linfonodos vascularizados

Nesse método, o cirurgião transplanta linfonodos saudáveis de outra região do corpo (como a virilha ou região cervical) para a área afetada. Os linfonodos transplantados criam novos caminhos de drenagem linfática.

  • Indicação: linfedema secundário, especialmente após cirurgias oncológicas que retiraram linfonodos.
  • Vantagens: melhora da drenagem e redução de infecções.
  • Desafios: requer técnica altamente especializada e pode haver risco de linfedema no local doador.

3. Lipoaspiração do linfedema

Nos estágios mais avançados, quando há grande acúmulo de gordura e fibrose associada ao linfedema, a lipoaspiração pode ser utilizada. Esse procedimento remove o excesso de tecido adiposo que se forma secundariamente ao inchaço crônico.

  • Indicação: linfedema crônico avançado, refratário a outros tratamentos.
  • Benefícios: redução significativa do volume do membro, melhora funcional e estética.
  • Observação: a lipoaspiração não corrige o problema linfático em si; por isso, o uso contínuo de meias de compressão é essencial após o procedimento.

4. Excisão de tecidos (cirurgia de Charles e variações)

São técnicas mais antigas e radicais, que consistem na remoção cirúrgica de grandes áreas de pele e tecido subcutâneo do membro afetado. Atualmente, são pouco utilizadas, mas ainda podem ser opção em casos muito graves, com linfedema gigante e complicações recorrentes.

  • Indicação: casos extremos em que outras alternativas falharam.
  • Limitação: alto risco de complicações, recuperação lenta e impacto estético significativo.

Cirurgia: sempre parte de um tratamento combinado.

É importante reforçar que a cirurgia vascular não substitui o tratamento conservador, mas sim o complementa. Mesmo após a realização de um procedimento cirúrgico, o paciente precisa manter medidas contínuas de controle:

  • Uso de meias de compressão adaptadas;
  • Drenagem linfática manual ou mecânica orientada por profissional especializado;
  • Exercícios físicos regulares, como caminhada, natação ou fisioterapia específica para linfedema;
  • Cuidados rigorosos com a pele, prevenindo feridas e infecções.

O sucesso do tratamento depende tanto da técnica cirúrgica quanto da adesão a essas medidas no longo prazo.

Benefícios esperados do tratamento cirúrgico

Com a indicação correta e o acompanhamento adequado, os pacientes submetidos à cirurgia vascular para linfedema podem experimentar:

  • Redução significativa do volume do membro afetado;
  • Menor frequência de episódios de erisipela e outras infecções;
  • Melhora da mobilidade e da capacidade funcional;
  • Redução da dor, sensação de peso e desconforto;
  • Maior satisfação estética e impacto positivo na autoestima.

Esses benefícios se traduzem em mais qualidade de vida, permitindo ao paciente retomar atividades do dia a dia com menos limitações.

O linfedema é uma doença crônica que exige acompanhamento contínuo, mas que hoje conta com opções de tratamento cada vez mais eficazes. A cirurgia vascular tem papel importante em casos selecionados, oferecendo alternativas que vão desde técnicas microcirúrgicas delicadas até procedimentos de redução volumétrica em situações avançadas.

Mais do que “curar” o linfedema, o objetivo da cirurgia é controlar os sintomas, reduzir complicações e devolver qualidade de vida ao paciente. Por isso, a decisão deve ser sempre individualizada, baseada na avaliação cuidadosa de um cirurgião vascular e integrada a um plano de cuidados multidisciplinar.

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A Dra. Ani Loize Arendt é médica especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular com mais de 10 anos de experiência na área. Vamos agendar uma consulta  para entender as diferentes formas de cuidar da sua saúde!

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Dra. Ani Loize Arendt

Medplex Norte, R. Gomes Jardim, 201/603B. – Santana.

Porto Alegre – RS

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