Viajar é uma experiência prazerosa, seja a trabalho ou lazer. No entanto, viagens longas, especialmente aquelas que exigem muitas horas sentado, podem representar um risco à saúde vascular. Um dos principais problemas associados a esse tipo de deslocamento é a trombose venosa profunda (TVP), uma condição séria que ocorre quando um coágulo se forma dentro de uma veia, geralmente nas pernas.
Embora nem todas as pessoas que fazem viagens longas desenvolvam trombose, entender por que ela pode acontecer e como preveni-la é fundamental para reduzir riscos e viajar com mais segurança.
O que é trombose venosa profunda?
A trombose venosa profunda acontece quando o sangue coagula dentro de uma veia profunda, mais frequentemente nas pernas ou panturrilhas. Esse coágulo pode bloquear parcial ou totalmente a circulação local, causando dor, inchaço e outros sintomas. O maior risco da TVP é que parte do trombo se desprenda e migre para os pulmões, provocando uma embolia pulmonar, uma emergência médica potencialmente fatal.
A formação do trombo está relacionada a três fatores principais, conhecidos como a tríade de Virchow: lentificação do fluxo sanguíneo, alterações na coagulação e lesão da parede do vaso. As viagens longas favorecem especialmente o primeiro desses fatores.
Por que viagens longas aumentam o risco de trombose?
Durante viagens prolongadas, seja de avião, carro, ônibus ou trem, as pessoas permanecem sentadas por muitas horas, com pouca movimentação das pernas. Essa imobilidade reduz a ação dos músculos da panturrilha, que funcionam como uma “bomba” natural para ajudar o sangue a retornar ao coração.
Além disso, a posição sentada, muitas vezes com os joelhos dobrados e pouco espaço para esticar as pernas, dificulta ainda mais o retorno venoso. Em voos longos, outros fatores também contribuem, como a baixa umidade da cabine, que favorece a desidratação, e a pressurização, que pode alterar levemente a circulação.
O resultado é a estagnação do sangue nas veias dos membros inferiores, criando um ambiente propício para a formação de coágulos, especialmente em pessoas que já possuem fatores de risco.
Quem tem maior risco de desenvolver trombose em viagens?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver trombose, alguns grupos apresentam risco aumentado durante viagens longas. Entre eles estão:
- Pessoas com histórico prévio de trombose;
- Indivíduos com varizes ou insuficiência venosa crônica;
- Gestantes e mulheres no pós-parto;
- Usuários de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal;
- Pessoas com câncer ou em tratamento oncológico;
- Indivíduos com obesidade;
- Pessoas acima de 60 anos;
- Pacientes que passaram por cirurgias recentes;
- Tabagistas.
Para quem se enquadra em um ou mais desses grupos, os cuidados durante viagens longas devem ser redobrados.
Sintomas de trombose após uma viagem
Os sintomas da trombose venosa profunda podem surgir durante a viagem ou dias após o deslocamento. É importante estar atento a sinais como:
- Inchaço em uma das pernas, geralmente assimétrico;
- Dor ou sensação de peso na panturrilha;
- Vermelhidão ou aumento da temperatura local;
- Endurecimento ao longo de uma veia;
- Desconforto ao caminhar.
Em casos mais graves, se houver embolia pulmonar, podem surgir falta de ar súbita, dor no peito, tosse e aceleração dos batimentos cardíacos. Esses sintomas exigem atendimento médico imediato.
Como prevenir a trombose durante viagens longas
A boa notícia é que a maioria dos casos de trombose relacionada a viagens pode ser prevenida com medidas simples e eficazes.
Manter-se em movimento é uma das estratégias mais importantes. Sempre que possível, levante-se e caminhe pelo corredor do avião ou faça pausas regulares em viagens de carro ou ônibus. Se não for possível caminhar, movimentar os pés e tornozelos, realizando flexões e extensões, já ajuda a estimular a circulação.
A hidratação adequada é outro ponto essencial. Beber água regularmente ajuda a manter o sangue menos viscoso e reduz o risco de formação de coágulos. Deve-se evitar o consumo excessivo de álcool e bebidas com cafeína, que podem favorecer a desidratação.
O uso de meias de compressão elástica, quando indicado por um médico, é uma medida altamente eficaz, especialmente para pessoas com fatores de risco. Elas ajudam a melhorar o retorno venoso e reduzem o acúmulo de sangue nas pernas durante longos períodos sentados.
Optar por roupas confortáveis e não apertadas, especialmente na região da cintura e das pernas, também contribui para uma melhor circulação. Além disso, evitar cruzar as pernas por longos períodos também é fundamental, pois essa posição dificulta ainda mais o retorno venoso.
Em casos específicos, como pacientes com alto risco de trombose, o médico pode avaliar a necessidade de medidas adicionais, incluindo medicação preventiva, sempre de forma individualizada.
Cuidados antes da viagem
Para quem já possui fatores de risco ou histórico de trombose, uma avaliação prévia com um cirurgião vascular é altamente recomendada antes de viagens longas. O especialista poderá orientar medidas personalizadas de prevenção, indicar o uso correto de meias de compressão e avaliar se há necessidade de exames ou cuidados adicionais.
Planejar a viagem com antecedência, escolhendo assentos que permitam maior mobilidade e organizando pausas para alongamento, também faz parte da prevenção.
Após a viagem: atenção aos sinais!
Mesmo tomando todos os cuidados, é importante manter atenção aos sintomas nos dias seguintes à viagem. Qualquer sinal suspeito, especialmente inchaço ou dor em uma perna, deve ser avaliado rapidamente por um profissional de saúde.
O diagnóstico precoce da trombose venosa profunda é feito, na maioria das vezes, por meio do ultrassom Doppler, um exame não invasivo e altamente eficaz.
Viagens longas fazem parte da rotina de muitas pessoas, mas não devem ser encaradas como um risco inevitável à saúde. A trombose venosa profunda é uma condição séria, porém amplamente prevenível quando se conhecem os fatores de risco e se adotam medidas simples durante o deslocamento.
Manter-se em movimento, hidratar-se adequadamente, usar meias de compressão quando indicado e buscar orientação médica em situações de maior risco são atitudes que fazem toda a diferença. Cuidar da circulação durante viagens é um investimento na saúde e na tranquilidade, permitindo que a experiência de viajar seja segura do início ao fim.
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A Dra. Ani Loize Arendt é médica especialista em Cirurgia Vascular e Endovascular com mais de 10 anos de experiência na área. Vamos agendar uma consulta para entender as diferentes formas de cuidar da sua saúde!
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Dra. Ani Loize Arendt
Medplex Norte, R. Gomes Jardim, 201/603B. – Santana.
Porto Alegre – RS




