É comum encontrar pessoas que convivem com varizes durante anos antes de procurar um cirurgião vascular. Muitas vezes, a justificativa é que “ainda não está tão ruim”, que as veias não incomodam tanto ou que o tratamento pode esperar. Em outros casos, a preocupação é principalmente estética, e a pessoa só busca ajuda quando as alterações ficam mais aparentes.
O problema é que as varizes não são apenas uma questão de aparência. Elas podem estar relacionadas à insuficiência venosa, uma condição que pode evoluir com o tempo e provocar sintomas e complicações. Por isso, investigar o problema logo nos primeiros sinais permite entender o que está acontecendo com a circulação e definir o momento mais adequado para agir.
Neste artigo, vamos explicar por que não é uma boa ideia esperar as varizes piorarem e como a avaliação precoce pode fazer diferença para a saúde das pernas.
Varizes são um sinal de que algo está acontecendo na circulação
As varizes são veias dilatadas e tortuosas que ficam mais visíveis sob a pele. Elas aparecem principalmente nas pernas porque o sistema venoso precisa trabalhar contra a força da gravidade para levar o sangue de volta ao coração.
Dentro das veias existem pequenas válvulas que ajudam a impedir que o sangue retorne para baixo. Quando essas válvulas não funcionam adequadamente, ocorre o chamado refluxo venoso. O sangue passa a se acumular nas veias, aumentando a pressão dentro dos vasos e favorecendo sua dilatação.
É justamente por isso que uma variz visível não deve ser analisada apenas como uma alteração estética. Ela pode ser um sinal de que existe uma alteração no funcionamento da circulação que merece ser investigada.
Nem sempre as varizes começam causando dor
Um dos motivos que fazem muitas pessoas adiarem a consulta é a ausência de sintomas.
É perfeitamente possível apresentar varizes sem sentir dor ou qualquer outro desconforto importante. Porém, isso não significa necessariamente que o problema não esteja evoluindo.
Com o passar do tempo, algumas pessoas começam a apresentar sensação de peso nas pernas, cansaço, queimação, coceira, câimbras ou inchaço, principalmente ao final do dia ou depois de permanecer muito tempo em pé.
Por isso, não é necessário esperar que as pernas comecem a doer para procurar avaliação. A presença de veias dilatadas, mesmo sem sintomas, já é um motivo para conversar com um especialista e entender se existe insuficiência venosa associada.
O que pode acontecer quando as varizes evoluem?
A evolução das varizes é diferente para cada pessoa. Algumas permanecem relativamente estáveis durante anos, enquanto outras aumentam progressivamente em número e tamanho.
Quando a insuficiência venosa se torna mais significativa, podem surgir alterações na pele, especialmente na região próxima aos tornozelos. Escurecimento da pele, ressecamento, coceira e endurecimento do tecido são alguns sinais que podem aparecer em quadros mais avançados.
Em determinadas situações, também podem ocorrer inflamações das veias superficiais, sangramentos após pequenos traumas e, nos casos mais avançados, feridas relacionadas à insuficiência venosa.
Isso não significa que toda pessoa com varizes desenvolverá essas complicações. Porém, reforça a importância de não ignorar o problema e de acompanhar sua evolução.
Investigar cedo ajuda a descobrir a origem das varizes
Uma das principais vantagens de procurar o cirurgião vascular antes que os sintomas se tornem intensos é justamente a possibilidade de investigar a origem do problema.
Durante a consulta, o médico avalia as características das veias, os sintomas apresentados, o histórico familiar e outros fatores que podem influenciar a circulação.
Quando necessário, pode ser solicitado um ultrassom Doppler vascular. O exame permite observar o fluxo sanguíneo dentro das veias e identificar a presença de refluxo, além de avaliar quais vasos estão envolvidos.
Esse diagnóstico é fundamental porque nem todas as varizes precisam do mesmo tratamento. Enquanto alguns pacientes apresentam apenas pequenos vasos superficiais, outros podem ter comprometimento de veias maiores, como a safena.
Quanto melhor se conhece a origem do problema, mais personalizado pode ser o tratamento.
Tratar cedo significa necessariamente fazer uma cirurgia?
Não. Essa é outra ideia que faz algumas pessoas adiarem a consulta.
A avaliação precoce não significa que o paciente, necessariamente, precisará passar por uma cirurgia. Pelo contrário: existem diversas opções de tratamento, e a escolha depende do tipo, do tamanho e da origem das veias comprometidas.
Vasinhos podem ser tratados, em casos selecionados, com técnicas como escleroterapia ou laser transdérmico. Varizes maiores podem ser abordadas por diferentes métodos, incluindo técnicas minimamente invasivas.
Quando existe insuficiência da veia safena, por exemplo, o endolaser pode ser uma alternativa em pacientes selecionados. Em outros casos, diferentes estratégias podem ser mais adequadas.
O importante é que o tratamento seja definido depois de uma avaliação individualizada, e não apenas pela aparência das pernas.
Quanto antes investigar, mais opções podem existir.
Cada caso é único, mas identificar uma alteração vascular em uma fase inicial permite acompanhar sua evolução e discutir as possibilidades de tratamento antes que o quadro se torne mais complexo.
Além disso, a avaliação precoce permite orientar mudanças de hábitos que podem contribuir para a saúde das pernas, como manter uma rotina de atividade física, evitar longos períodos na mesma posição e controlar fatores que favorecem a progressão da doença venosa.
O objetivo não é apenas eliminar uma veia aparente, mas cuidar do sistema circulatório como um todo.
Quando procurar um cirurgião vascular?
Não existe uma idade específica para começar a investigar as varizes. A presença de veias dilatadas, principalmente quando elas estão aumentando ou acompanhadas de sintomas, já justifica uma avaliação.
É especialmente importante procurar um especialista quando surgem dor, peso, cansaço, inchaço, queimação ou coceira nas pernas. Alterações na pele, sangramentos, inflamações ou feridas também precisam ser avaliadas.
Pessoas com histórico familiar importante de varizes ou que já passaram por tratamentos anteriores também podem se beneficiar do acompanhamento periódico.
E existe uma situação que exige atenção imediata: inchaço súbito de uma perna acompanhado de dor, calor ou vermelhidão deve ser avaliado rapidamente, pois pode indicar um problema vascular que necessita de investigação urgente.
Não espere a variz virar um problema maior
Cuidar das varizes antes que elas causem sintomas importantes é uma forma de olhar para a saúde das pernas com mais prevenção e menos urgência. Nem toda variz vai evoluir para um quadro grave, mas também não é possível prever apenas pela aparência quais casos permanecerão estáveis e quais poderão progredir.
Por isso, esperar a dor aparecer ou as veias ficarem muito maiores não é necessário. Uma avaliação com o cirurgião vascular pode esclarecer se existe insuficiência venosa, identificar quais veias estão comprometidas e indicar o melhor momento e a melhor estratégia para o tratamento.
Suas pernas não precisam esperar piorar para receber cuidado. Se você percebeu o surgimento de varizes ou começou a notar peso, cansaço, inchaço ou outros sintomas, procure uma avaliação especializada. Quanto mais cedo você entende o que está acontecendo, mais tranquilo pode ser o caminho para cuidar da sua circulação.
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Dra. Ani Loize Arendt
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